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A Estação de Indaial

AUTORIA: Luiz Carlos Henkels
Localização: KM 22.0 ( Considerando Blumenau como KM 0 )
KM 70.7 ( Considerando Itajaí como KM 0 )
Altitude: 63.7 MTS sobre o nível do mar.

O Início de tudo
A primeira estação, em INDAIAL foi construída durante o ano de 1.908, dentro do cronograma de construção de todas as obras ferroviárias realizadas pela Construtora BACHSTEIN & KOPPEL, visando o término das obras da EFSC ( Estrada de Ferro Santa Catarina ), até a localidade de Hansa, até o final de 1.909, o que de fato se concretizou

1926

Seguindo as normas vigentes na época para todas as estações, o prédio era no estilo enxaimel, pintado de amarelo com as madeiras a vista pintadas de preto. Era um estação de porte médio, com uma sala de espera, aberta, a separar a sala do agente da Estação e o armazém. Logo nos primeiros anos após sua inauguração acrescentou- se mais uma ala destinada ao armazém, tendo em vista o grande movimento de mercadorias da Estação.

1926

A Estação de INDAIAL, portanto, fez parte do primeiro trajeto de 30Kms, inaugurado e entregue ao tráfego regular em 03 de Maio de 1.909, até a localidade de WARNOW.

A Nova estação

Esta primeira Estação, considerada obsoleta pela administração da ferrovia, no início da década de 50, resolve demolir o prédio, construindo a nova Estação, que atualmente ainda existe no local.

1969

Este novo prédio, foi construído seguindo-se os padrões da época, que alguns preferem chamar de”Getulista”, constituindo-se de sala para o agente da estação, sala de espera com banheiros, hall de entrada, e três armazéns, sendo dois para mercadorias para os trens descendentes e um para mercadorias que tomavam os trens ascendentes. Estes armazéns destinavam-se a guarda de mercadorias a serem despachadas pelo trem, quando seu volume não compensava o carregamento de um vagão exclusivo para as mesmas. O novo prédio era de cor cinza escuro com detalhes em cinza claro, não pintado, pois a própria argamassa foi feita misturando –se estas tonalidades, o que constituía um padrão sui generis para a época. Várias estações que foram construídas ou reformadas naquela época seguiram esta padronização, como GASPAR, BLUMENAU ( estação nova), SALTO WEISSBACH( estação nova ),WARNOW( estação nova ), APIÚNA(estação nova) , MOSQUITO, TROMBUDO CENTRAL e SÃO JOÃO. No entanto a estação de Indaial, em razão do seu comprimento, era a única com as características que apresenta, na EFSC.

Importância Estratégica

A Estação de INDAIAL, era considerada importante para a EFSC, não pelo tamanho da pequena Indaial dos tempos da ferrovia, mas por sua localização estratégica, atendendo uma micro região formada por TIMBÓ, RIO DOS CEDROS, e POMERODE, evidentemente mais as localidades adjacentes a estas cidades, muitas que na atualidade já viraram cidades. Assim sendo, INDAIAL era sempre uma Estação com grande circulação de mercadorias e passageiros, que vinham destas localidades, para utilizar-se do trem, enquanto que Estações como Warnow e Encano, eram consideradas de pequeno porte pois só atendiam aquelas localidades .

O Movimento

Explicando mais ou menos como funcionavam as comunicações naqueles tempos, vamos avaliar uma viagem de um cidadão de Rio dos Cedros, que resolve fazer uma compra em BLUMENAU. Naturalmente, ele se deslocaria com a família com a sua carroça até INDAIAL, e para tomar o trem as 9:00hs na Estação, o jeito era sair de madrugada, pois, uma vez chegando a Estação, deveria-se providenciar pasto e guarda para os cavalos perto da Estação, bem como guardar a carroça. Enquanto isso a família tratava de comprar as passagens. Tomando-se o trem e chegando –se a Blumenau eram providenciadas as compras, tomando-se o trem de retorno as 15:00hs, e chegando-se em Indaial as 16:00hs. As compras, eram descarregadas do vagão de bagagem e deixadas a disposição na rampa, ficando sob responsabilidade de alguém da família, enquanto o chefe da família tratava de atrelar os cavalos á carroça, e após, iniciando-se a exaustiva viagem de retorno a Rio dos Cedros.

Mas, a estação de INDAIAL também atendia ao Comércio e Indústria destas citadas regiões. Empresas como, Lorenz de Indaial, Lorenz de Timbó, Firma Schroeder de Indaial, Hardt de Indaial, onde o forte eram os laticínios, Fábrica de Papelão Timbó, entre muitas outras, enfim, proporcionando muito trabalho e movimento no local. Consta que no último trem em 12 de marco de 1.971, havia uma caixa encomenda para a Malharia Indaial. Além disto o CORREIO também era despachado e recebido via férrea.

O pátio de manobras da Estação de Indaial era bastante amplo, possuindo além da via permanente que passava rente a rampa da Estação, dois desvios, um dêles bastante extenso, iniciava mais ou menos nas imediações da hoje Joalheria Rafael e seguia até aproximadamente a entrada da Ebert – Materiais de Construção. Este desvio geralmente era utilizado para os encontros dos trens, quando esporadicamente aconteciam em Indaial. Anexo a este desvio havia um menor, utilizado para estacionamento de vagões destinados a carga e descarga.

Uma das alavancas de mudança destes desvios, a que ficava no lado oeste do pátio ainda era encontrável em Indaial por volta do ano 2.001, de posse do Sr. Konrad Muller. Era uma alavanca fabricada por “Jacob Steffen”, com a inscrição “Neustre Life”, abaixo da marca.

Na época áurea da EFSC, no final da década de 50, passavam por Indaial seis trens diariamente. O “passageiro” matutino ( P 1 ) passava entre 8:00hs e 8:15hs, proveniente de Itajaí em direção a Trombudo Central. O “passageiro” matutino ( P 2 ) passava entre 8:30hs e 8:45hs, proveniente de Trombudo Central e seguia até Itajaí. Esporadicamente, quando ocorria algum atraso, estes dois trens se encontravam em Indaial, causando grande movimento de cargas e passageiros.

Por volta de 11:00hs, passava o enorme “ cargueiro” proveniente de Itajaí ( Porto) com sua composição de vagões vazios, e outros carregados com areia , sal e outros insumos destinados ao AltoVale.
Em torno de 13:30hs, passava o pesado “trem cargueiro” proveniente do Alto Vale com destino ao Porto de Itajaí, com seus intermináveis vagões carregados com fécula, milho, madeira serrada e gado.

Ao entardecer, as 16:00hs passava o passageiro vespertino (P 3), proveniente de Itajaí em direção a Trombudo Central, e o passageiro vespertino (P 4), que retornava de Trombudo Central, passava as 17:30hs, encerrando o dia de atividades na Estação, a não ser que houvesse algum trem especial em tráfego.

Era pois, Indaial, a exemplo de qualquer estação ferroviária Brasileira, local de muito movimento e encontro de pessoas, tornando-a muito importante para a cidade, concentrando ali gente ligada a todos os tipos de atividades, desde o empresário até o mais humilde cidadão. Aos domingos virava local de lazer e encontro, pois, naqueles tempos, havendo pouco lazer, o maior divertimento dos Indaialenses aos Domingos era esperar a passagem dos trens, encontrar pessoas, iniciar algum namoro ou fortifica-lo. Há muito namoro, no passado, que começou na Estação Ferroviária, ou no interior dos trens, tendo o Agente da Estação como testemunha. Sempre se diz que o Agente Ferroviário era a quinta pessoa em grau de importância nos municípios cortados por ferrovia, só perdendo para o Prefeito, para o Padre, para o Juiz e para o Delegado, porque era ele que sabia das coisas que aconteciam na Região e as que iriam acontecer, exclusivamente tomando por base os comentários das pessoas que passavam pela Estação.

O último Agente de Estação a atuar em Indaial, por longos anos, foi o Sr. Silvestre Ernesto da Silva, que a desativou em 1.971.

A última passagem de um trem oficial pela estação de Indaial ocorreu no dia 12 de Março de 1.971, por volta de 17:00hs. Este trem, já extra oficial, retornou de Trombudo Central na madrugada de 13 de março, passando por Indaial em torno de 1:30 hs, após o que as atividades se encerraram.

1971 - Última viagem

Novos Destinos

Após a desativação da ferrovia, por determinação do Prefeito Victor Petters, o prédio da Estação passou a ser utilizado como RODOVIÁRIA, em meados de 1.974. O pátio outrora com vagões estacionados, passou a ser estacionamento de ônibus. Mais tarde, passou a abrigar a FUNDAÇÃO INDAIALENSE DE CULTURA e atualmente a Estação abriga o Museu Municipal Ferroviário Silvestre Ernesto da Silva.

Devido a sua localização estratégica o prédio sempre foi de uso público, escapando das invasões e mau uso a que ficaram sujeitas várias Estações da desativada EFSC.







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